segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Os 6 personagens bíblicos que devem ser imitados

Por: Jânio Santos de Oliveira
Presbítero e professor de teologia da Igreja Assembléia de Deus Taquara - Duque de Caxias- Rio de Janeiro
janio-estudosteolgicos.blogspot.com



Meus amados e queridos irmãos em Cristo Jesus, a Paz do Senhor!

Nós apresentamos em matéria anterior um estudo que apontava os personagens que não devemos imitar; agora apresentaremos seis vultos especiais das sagradas escrituras em quem podemos e devemos nos espelhar.

Vamos verificar!

I. Samuel:

“Mas o jovem Samuel crescia em estatura e no favor do SENHOR e dos homens.” 1Sm 2.26

Samuel é o personagem mais importante entre Moisés e Davi. Ele foi o Lutero ou o João Batista de seu tempo. Toda a sua carreira, desde o nascimento até a morte, nos eleva acima dos baixos níveis típicos desse período. A estéril Ana, com o anseio de uma hebréia por um filho, pede-o a Deus e depois o devolve a Deus.

Assim, Samuel foi criado no tabernáculo em Silo. O sumo sacerdote, Eli, também era o "juiz" daqueles dias. Ele foi o primeiro a concentrar as duas ocupações numa só pessoa. O idoso Eli, embora pessoalmente fosse puro, permitiu que os gravíssimos pecados de seus filhos passassem em branco, sem repreensão.

Através do menino Samuel, Deus revelou a sentença contra a casa de Eli. Esta ocorreu durante a famosa batalha de Afeque, quando os filisteus mataram os filhos de Eli e capturaram a arca. Eli caiu morto ao receber a notícia. Os anos de trevas que se seguiram foram amenizados com a esperança crescente em Samuel, chamado para ser um profeta de Deus. A grande obra de Samuel pode ser assim resumida:

1) Ele suscitou uma grande reforma nacional, renovando a aliança e trazendo o povo de volta à adoração ao Senhor Deus.

2) Atacado pelos filisteus, ele teve tamanha vitória em Ebenézer que eles jamais investiram novamente contra Israel durante o seu mandato de juiz.

3) Organizou as escolas dos profetas.

4) "Julgou" Israel durante toda a vida.

5) Preparou o caminho para a monarquia e a introduziu, ungindo Saul e, após ser ele rejeitado, Davi. Samuel, portanto, pertence ao período de transição dos juízes para a monarquia. Ele é o último e o maior de todos os juízes e o primeiro da grandiosa linhagem de profetas hebreus posteriores a Moisés.

6) Samuel deve ser um instrutor do povo de Deus, dentro da Palavra de Deus. Ele ensina os preceitos da aliança em Cristo, e anuncia à igreja a maneira correta de proceder. Sua palavra não vem apenas em nível individual, mas também em nível coletivo. Ele mostra os pecados de pessoas, mas também das instituições. O pecado tem uma dimensão social. Ele se incrusta nas instituições sociais que criamos, porque estas instituições refletem nossa natureza.

7) Assim, instituições políticas, religiosas, sociais e denominacionais sofrem os efeitos do pecado. O profeta deve denunciar o pecado individual e estrutural e mostrar o caminho correto, que é o arrependimento, a mudança radical das atitudes. O profeta não aceita o pecado nos indivíduos nem nas estruturas, principalmente nas estruturas a serviço de Deus. Os profetas bíblicos denunciaram os pecados de Síria, Assíria, Egito, Edom, Babilônia, mas também os de Israel e Judá.

O profeta contemporâneo precisa fazer a Bíblia brilhar e cortar como uma espada afiada. Ela deve ser mais que o livro do qual se lê um salmo, na hora da reunião de culto, eclesiástica, administrativa.

Ela deve reger nossa vida em todas as áreas. Esta relação do profeta com a Palavra de Deus deve nos levar a uma reflexão. Neopentecostais usam muito o termo "a Palavra". Se prestarem atenção, não se referem à Bíblia, mas a um conjunto que inclui a palavra deles.

Palavra alguma de pessoa alguma pode ombrear-se á Palavra de Deus. Se alguém almeja ser profeta, e se a igreja se entender como comunidade profética, precisa saber disto: a Palavra de Deus, a Bíblia, deve ser o norte na vida dos cristãos, e não as tradições humanas, dogmas, ou ditames eclesiásticos.

A Monarquia israelita abrangeu quatro séculos. Os três primeiros reis exerceram seu governo sob uma nação unida. Essa monarquia unida durou pouca coisa mais do que um século, iniciando-se por volta de 1020 a.C. Sua origem está centrada no fato de que os filisteus estavam se tornando uma ameaça militar muito forte, fazendo com que os israelitas desejassem ter as mesmas condições para enfrentá-los. Para atingir esse fim, Israel precisa deixar de ser tribal.

Antes da Monarquia, não havia Estado. As decisões eram isoladas, ocorrendo nas tribos, clãs, cidades-estado e outras subdivisões que mostram bem a diversidade de relações do Israel pré-monárquico. As tribos se uniam, na eventualidade de acordos ou ataques inimigos. Os estudiosos falam de uma Confederação de Tribos (Anfictionia), que se reunia para deliberar atividades conjuntas, possuindo uma liderança flutuante.

Outros trabalham a hipótese de não haver tal confederação, mas uma união de duas ou mais tribos ou cidades-estado, para fazer frente a algum perigo comum. O certo é que não havia estado constituído. As funções de natureza religiosa e ritual eram executadas, via regra, pelos pais de família ou chefes de clãs, em santuários locais.

1. O Período de Saul 1 Sm 10-31 É provável que Saul tenha governado por volta de doze ou vinte dois anos. Sua escolha se reveste de controvérsia, pois existem textos que dizem ter sido ele ungido por Samuel e, de outro lado, que foi resultado do desejo de Israel de ter um rei, insurgindo-se contra a realeza de Javé.

Também sua rejeição é narrada duas vezes. Acredita-se que Saul não tenha sido um rei, na verdadeira acepção do termo, por, entre outras coisas, não possuir uma sede para seu governo; não conseguir montar um exército regular; não ter exercido funções administrativas nem construído nada. Sua passagem por Israel é puramente militar e seu reinado é marcado por um estado constante de guerra! Podemos dizer que seu "reinado" não passaria de uma "pré-monarquia".

Nos textos mais antigos, Saul não é chamado de rei, malkah, mas de noged príncipe ou comandante. Exerceu sua liderança por todo o tempo da beligerância com os filisteus, o que equivale a toda a sua vida. Morreu guerreando, sem condições para outorgar sua liderança ao descendente. Existem algumas particularidades quanto ao reinado de Saul.

Não se pode deixar de mencionar sua capacidade militar, bem como sua dificuldade de manter-se fiel aos princípios estabelecidos por Samuel. Percebe-se uma constante tensão entre as instituições da monarquia, do sacerdócio e do profetismo. O capítulo 28 nos testemunha a sua incapacidade de aceitar que seu tempo havia terminado. Seu relacionamento com Davi também é tumultuado, havendo momentos de grande tensão entre eles.

Os relatos nos falam de situações difíceis, de origem espiritual e da presença de Davi, como que para aliviá-lo de seu sofrimento. Um final melancólico para um herói de guerra! Seu mérito? Preparar as tribos para a liderança de Davi e a instalação do Estado de Israel.

2. Davi: A Instituição do Estado. (2 Sm). A Monarquia começa, efetivamente, com Davi. O estabelecimento do Estado, com todas as suas características terão seu auge no período de Salomão, mas Davi é o rei por excelência. Ele é chamado de "malkah"! Sua subida ao trono não se deu pacificamente. Os textos nos informam que houve luta entre os adeptos de Saul e de Davi, para se saber quem seria o seu sucessor. Davi, depois de ter sido aclamado rei sobre todo o Israel, assume para si a guerra com os filisteus e os derrota. A partir daí, começa uma nova fase para Israel.

O reinado de Davi institui, de uma vez por todas, o Estado. Conquistando Jerusalém, uma cidade que não pertencia a nenhuma tribo, inaugura um governo independente e de estrutura. A capital necessita de funcionários que desempenhem os papéis vários de um Estado. Há um esforço que se coroa de êxito na centralização da fé em Javé, na cidade de Jerusalém, quando do transporte da Arca da Aliança. As guerras não se resumem aos filisteus somente.

Também os amonitas, moabitas e edomitas são alvo da espada de Davi, estabelecendo a hegemonia de Israel até o rio Eufrates. É importante ressaltar que tais êxitos políticos militares se dão, por falta da presença das grandes potências, que neste período estão enfraquecidas e, portanto, possibilitam o surgimento e fortalecimento de reinos menores. Como as necessidades do Estado davídico eram relativamente baixas, os tributos também o foram, pois suas construções se afiguram modestas.

No entanto, a provisão de fundos e material para as edificações posteriores, foram abundantes. O narrador (Obra Historiográfica do Deuteronomista), no entanto, não deixa de mencionar as desventuras de Davi, tais como o adultério com Bete-Seba e o conseqüente assassínio de Urias, seu marido; as dificuldades com Absalão e a guerra sucessória; e as insubordinações de Joabe, seu general e cúmplice. Por fim, legaram ao seu filho Salomão um Estado com francas possibilidades de expansão, o que será plenamente realizado.

1. Primeiro Livro de Samuel: A função da autoridade: O primeiro livro de Samuel narra acontecimentos que se situam entre 1040 e 1010 a.C. Temos aí uma análise crítica do aparecimento da realeza em Israel, análise que pode nos ajudar a avaliar nossos sistemas e homens políticos, bem como qualquer outra autoridade.

Há duas versões do surgimento da autoridade política central em Israel: a primeira é contrária e hostil à monarquia (1Sm 8;10, 17-27), representando a visão mais democrática das tribos do Norte, que viviam em terras produtivas. A Segunda versão é favorável à monarquia (1Sm 9, 1-10, 16; 11) e representa a visão da tribo de Judá, que vivia em terras menos produtivas.

Unindo as duas versões, vemos que a autoridade é, ao mesmo tempo, um mal necessário (ela pode se absolutizar, explorar e oprimir o povo) e um Dom de Deus (uma instituição mediadora, que deve representar, isto é, tornar presente o próprio Deus, único rei que salva e governa o seu povo).

1 Sm oferece, portanto, uma teologia crítica da autoridade política. Mostra que Deus é o único rei sobre o seu povo. Para ser legítimo, o rei humano (e seus esquivalentes) devem ser representantes de Deus, isto é, servir a Deus através do serviço ao povo.

E isso compreende duas coisas: primeiro, reunir e liderar o povo, ajudando-o a proteger-se e a libertar-se dos seus inimigos (1Sm 9,16); segundo, organizar o povo e promover a vida social conforme a justiça e o direito (Sl 72; Dt 17, 14-20; Pr 16,12). Conforme 1Sm, portanto, qualquer autoridade que não obedece a Deus e não serve ao povo é ilegítima e má, pois ocupa o lugar de Deus para explorar e oprimir o povo.

2. Segundo livro de Samuel: A autoridade ideal: O segundo livro de Samuel continua a narração de 1Sm, abarcando o período que vai de 1010 a 971 a.C. O livro está centrado na figura de Davi, cuja história começa já em 1Sm 16, e nas lutas dos pretendentes para suceder-lhe no trono de Jerusalém. Podemos dizer que 2Sm continua a avaliação do sentido e da função da autoridade política. Davi é apresentado como rei ideal, que obedece a Deus e serve o povo.

Graças à sua habilidade política, ele consegue aos poucos captar a simpatia das tribos, sendo primeiro aclamado rei de Judá, sua tribo, e depois rei também das tribos do Norte. Após ter conseguido reunir todo o povo, Davi conquista Jerusalém e a torna ao mesmo tempo o centro do poder político e da religião de Israel.

O ponto mais alto da sua história é a profecia de Natã (2Sm 7), onde o profeta anuncia que o trono de Jerusalém sempre será ocupado por um Messias (= rei ungido) da família de Davi.

É a criação da ideologia messiânica: o povo será sempre governado por um Messias, descendente de Davi. Logo depois começa a competição pelo poder e pela sucessão e, finalmente, o trono é ocupado por Salomão, filho mais novo de Davi (2Sm 9 - 1Rs 2).

Davi passou para a história como o modelo de autoridade política justa. Por isso, mesmo com o fim da realeza, os judeus permaneceram confiantes no ideal messiânico e ficaram à espera do Messias que iria reunir o povo, defendê-lo dos inimigos e organizá-lo numa sociedade justa e fraterna. Dizendo que Jesus é o Messias esperado (daí o nome grego Cristo = Messias). Ele veio para reunir todos os homens e levá-los à vida plena, na justiça e fraternidade do reino de Deus.

Síntese: 1 e 2 Samuel: O conteúdo dos dois livros pode ser dividido em três partes, tendo como base as pessoas que sucessivamente governaram Israel: o profeta Samuel, e os reis Saul e Davi.

Falam dos últimos anos da época dos juízes (1Sm 1 7), das origens da monarquia com Saul e sua rejeição (1Sm 8-15), a escolha de Davi para o trono (1Sm 16- 2Sm 7) e da história da sucessão de Davi (2Sm 9-20). Podemos notar a influência deuteronomista em 1Sm 12,6-16, onde a garantia do êxito estará na obediência a Deus e na observância de seus mandamentos.

O livro de Deuteronômio desempenha um papel especifico no Livro de Samuel: Israel um dia terá Rei (Dt 17:14-20); Um dia a nação de Israel teria descanso dos inimigos (12:12); Um dia Israel teria de colher as benções ou maldições do Pacto de Deus (Dt 28); Deus exige obediência de todos e adoração exclusiva a Ele (1 Sm 7:3-4).

II. Davi:

A história do homem que Deus escolheu Os capítulos 13—15 de 1Samuel descrevem as razões porque Deus rejeitou definitivamente Saul, escolhendo “um homem segundo o seu coração” para substituí-lo (1Sm 13.13,14). A partir do capítulo 16, a Bíblia passa a narrar a trajetória de Davi, um dos principais personagens do Antigo Testamento, ao lado de Abraão e Moisés.

Davi foi o maior rei de Israel e o ancestral humano mais importante do Senhor Jesus. Sua história, suas realizações e seus fracassos são narrados em 1Sm 16—2Rs 1 e em 1Cr 2—29. Vejamos a seqüência dos eventos que conduziram Davi do campo, onde cuidava das ovelhas do pai, até o trono da nação escolhida por Deus para representar o Seu reino entre os homens.

1. Davi entra para o serviço de Saul (1Sm 16.1—18.5).

Davi é ungido por Samuel (1Sm 16.1-13). Deus repreendeu Samuel, porque ele lamentou o fracasso de Saul, como se o plano divino tivesse falhado. Em seguida, o profeta foi enviado à casa de Jessé, para ungir um de seus filhos como futuro rei de Israel.

Quando todos os filhos de Jessé se apresentaram perante Samuel, Deus indicou quem Ele havia escolhido para ocupar o lugar de Saul – Davi, o filho caçula, incumbido de apascentar as ovelhas do pai.

Davi na corte real (1Sm 16.14-23). Deus castigou a desobediência de Davi, permitindo que um espírito mal (um demônio) o perturbasse. A consciência de que ele havia sido rejeitado por Deus como rei, abandonado por Samuel e que outra pessoa já tinha sido escolhida para subir ao trono, tornou Saul um homem irritado, vingativo e melancólico. Para afugentar a perturbação espiritual de Saul, Davi foi levado para o palácio, onde passou a tocar harpa e servir na corte do rei.

Davi mata Golias (1Sm 17.1—18.5). Algum tempo depois, quando os exércitos filisteu e israelita se enfrentaram, em um território próximo de Jerusalém, Davi teve o ímpeto de enfrentar o soldado mais poderoso dos filisteus – Golias, um homem de 2,90m de altura (17.4-7).

O jovem filho de Jessé se ofereceu ao rei para representar o exército de Israel em uma batalha que determinaria o resultado da guerra entre as duas nações. Deus usou as habilidades que Davi tinha desenvolvido durante o pastoreio das ovelhas do pai, e este venceu o Golias em um só golpe com a sua funda – um instrumento usado pelos pastores para guiar o rebanho e afugentar as feras do campo (17.48-50).

O resultado imediato da impressionante vitória de Davi sobre Golias foi a derrota dos filisteus. Porém, de mais importância ainda é o fato de Davi repentinamente ter se tornado o herói mais popular de Israel e ter sido promovido a chefe da guarda pessoal do rei.

2. Davi passa a ser perseguido por Saul (1Sm 18.6—28.2; 29.1—30.31).

A amizade entre Davi e Jônatas, o filho do rei (1Sm 18.1—20.42). As ações de Davi atraíram a amizade e o amor leal de Jônatas (1Sm 18.1-4). Essa amizade perdurou mesmo quando ficou claro que Davi o substituiria como sucessor ao trono de seu pai, Saul. Os gestos de Jônatas, oferecendo seu manto, sua túnica, sua espada, seu arco e seu cinturão a Davi, dão a entender que ele já compreendia que Davi assumiria o trono em seu lugar. A partir daí, Jônatas passou a proteger a vida de Davi, contra os planos do seu próprio pai para assassiná-lo (1Sm 19.1-3).

Davi se torna um fugitivo (1Sm 21.1—23.29). Por causa do ódio de Saul e das suas tentativas de assassinar Davi, este teve de passar um longo período como fugitivo (talvez de 5 a 8 anos). Durante esse período Davi foi perseguido implacavelmente por Saul e, em algumas ocasiões, esteve a um passo de ser morto. Muitos dos salmos de Davi são atribuídos a essa época da sua vida (os salmos 7, 10, 13, 21, 27, 34, 52, 54, 56, 57 e 142 provavelmente foram inspirados nesse período).

As viagens de Davi (1Sm 21—30). Durante os anos em que Davi foi fugitivo, antes de ser ungido rei em Judá (2Sm 2), ele reuniu em volta de si um exército de 400 proscritos (22.2) que logo aumentou para 600 homens (25.13).

Nesse período, Davi esteve em Nobe (por causa disso Saul mandou matar os 85 sacerdotes e todos os habitantes da cidade, 22.19 – cumprindo a profecia de julgamento contra a casa de Eli, cf. 2.31), depois fugiu para Gate (onde se fingiu de louco, 21.13), depois para a caverna de Adulão (22.1), Mispá (22.3), Queila, onde venceu os filisteus (23.5) e, em seguida, para o deserto (23.14). Davi também viveu um tempo entre os filisteus (cap. 27—29) e depois em Ziclague, onde derrotou os amalequitas (cap. 30).

Davi poupa a vida de Saul (1Sm 24 e 26). A magnanimidade de Davi contrasta com o ódio implacável de Saul. Em duas ocasiões vemos Davi poupando a vida de Saul, mesmo quando a sua própria vida corria risco. Em uma das ocasiões (cap. 24), Saul foi obrigado a louvar a benevolência de Davi e reconheceu que a este havia sido dado o trono de Israel (24.20,21). Na segunda ocasião (cap. 26), Davi expressou sua confiança na providência divina, que tiraria Saul do caminho sem que Davi precisasse erguer sua mão contra ele (26.10).

Davi casa-se com Abigail (1Sm 25). A passagem de Davi pelo deserto de Naom revela quão difícil era subsistir com 600 homens em uma região desértica e inóspita. Essa passagem também nos mostra os diversos tipos de atitude do povo para com Davi. Um rico fazendeiro chamado Nabal (heb.: “insensato”), por exemplo, olhava para Davi com certo ódio e muito desprezo (25.10,11).

Já sua mulher, a “inteligente e bonita” Abigail (25.3), demonstrou perceber que cedo ou tarde Davi ocuparia o trono de Israel (25.30). Após a morte de Nabal (25.37,38), Davi pediu Abigail em casamento, e ela aceitou (25.40-42).

Uma última palavra sobre Davi
Todos estes episódios da vida de Davi contribuíram para a formação do seu caráter. Deus colocou-o debaixo de uma forte pressão, que faria dele um homem maduro e dependente de Deus. Muitas vezes Davi enfrentou situações nas quais era muito tentador escolher o caminho mais fácil. No entanto, Davi encontrou forças para fazer o que acreditava ser a vontade de Deus.

Essa força era proveniente de um coração voltado para Deus e confiante no cumprimento de todas as suas promessas. Antes de trilhar esse longo caminho para o trono, Davi não estava pronto para assumir as enormes responsabilidades que o aguardavam e, muito menos, para servir como tipo (ou figura) do reinado do Messias.

Essa mesma força é capaz de fazer de nós grandes homens e mulheres de Deus nos dias de hoje. Basta que desejemos ardentemente agradá-lo (mais que a nós mesmos) e confiemos firmemente em suas palavras (mesmo contra as evidências).

“Porém Saul disse a Davi: Contra o filisteu não poderás ir para pelejar com ele; pois tu és ainda moço, e ele, guerreiro desde a sua mocidade. Disse mais Davi: O SENHOR me livrou das garras do leão e das do urso; ele me livrará das mãos deste filisteu. Então, disse Saul a Davi: Vai-te, e o SENHOR seja contigo.” 1Sm 17.33,37

III . Joás:

“Tinha Joás sete anos de idade quando começou a reinar e quarenta anos reinou em Jerusalém. Era o nome de sua mãe Zíbia, de Berseba. Fez Joás o que era reto perante o SENHOR todos os dias do sacerdote Joiada.” 2Cr 24.1,2

IV. Josias:

“Tinha Josias oito anos de idade quando começou a reinar e reinou trinta e um anos em Jerusalém. Fez o que era reto perante o SENHOR, andou em todo o caminho de Davi, seu pai, e não se desviou nem para a direita nem para a esquerda. Porque, no oitavo ano de seu reinado, sendo ainda moço, começou a buscar o Deus de Davi, seu pai; e, no duodécimo ano, começou a purificar a Judá e a Jerusalém dos altos, dos postes-ídolos e das imagens de escultura e de fundição.” 2Cr 34.1-3

V. . Daniel:

“E Daniel propôs no seu coração não se contaminar…” (Dn 1:8).

Daniel foi deportado, enquanto adolescente, no ano de 605 aC, para a Babilônia, onde viveu mais de sessentas anos. Possivelmente fosse de uma família de classe alta de Jerusalém.

Isaias e Ezequias (Is 39.7) haviam profetizado a deportação para a Babilônia dos descendentes da família real. Inicialmente, Daniel serviu como estagiário na corte de Nabucodonosor. Mais tarde, tornou-se conselheiro de reis estrangeiros.

A importância de Daniel como profeta foi confirmada por Jesus em Mt 24.15.
O nome Daniel significa “Deus é meu juiz” Sua inabalável consagração a Jeová e sua lealdade ao povo de Deus comprovaram fortemente essa verdade na vida de Daniel.

Data

Embora o cerco e a deportação de cativos para a Babilônia tenha durado vários anos, os homens fortes e corajosos, os habilitados e os instruídos foram retirados de Jerusalém logo no início da guerra (2Rs 24.14). A data do cativeiro de Daniel costumeiramente aceita é de 605 aC. Sua profecia abrange o espaço de tempo de sua vida.

Contexto Histórico

Juntamente com milhares de cativos de Judá levados para o exílio na Babilônia, entre 605 a 582 aC, os tesouros do palácio de Salomão e do templo também levados. Os babilônios haviam subjugado todas as províncias governadas pela Assíria e haviam consolidado o seu império numa área que abrangia grande parte do Oriente Médio.
Para governar um reino tão diversificado numa área de tamanha extensão, necessitava-se de uma burocracia administrativa especial.

Escravos instruídos ou habilitados que as circunstâncias requeriam tornaram-se a mão de obra do governo. Por causa de sua sabedoria, conhecimento e boa aparência, quatro jovens hebreus forma selecionados para o programa de treinamento (1.4).

Devido ao caráter excepcional de Daniel, Hananias, Misael e Azarias, estes jovens foram contemplados com funções relevantes no palácio do rei. Daniel sobrepujou a todos os homens sábios daquele vasto império (6.1-3).

Conteúdo

O propósito é mostrar que o Deus de Israel, o único Deus, mantém sob seu controle o destino de todas as nações. Daniel se compõe de três partes principais: Introdução à pessoa de Daniel (1), os testes decisivos do caráter de Daniel e o desenvolvimento de suas habilidades de interpretação profética (2-7) e a série de visões de Daniel sobre reinos e acontecimentos futuros (8-12).

Nesta parte final, Daniel se apresenta como livro profético básico para a compreensão de muitas coisas da Bíblia. Muitos aspectos de profecias relacionadas com os tempos do fim dependem da compreensão deste livro.

Os comentários de Jesus no Sermão do Monte das Oliveiras (Mt 24; 25) e muitas das revelações dadas ao apóstolo Paulo encontram harmonia e coesão em Dn (ver Rm 11; 2Ts 2). Da mesma forma, Daniel se torna um companheiro de estudo necessário do Livro de Apocalipse.

Embora a interpretação de Daniel, como também Apocalipse, seja feita de maneira bastante diversificada, para muitos o enfoque da dispensação tornou-se bastante aceito. Esse enfoque na interpretação encontra em Dn as chaves que ajudam a desvendar os mistérios de assuntos como o Anticristo, a grande tribulação, a segunda vinda de Cristo, os Tempos dos Gentios, as ressurreições futuras e juízos. Esse enfoque também vê as profecias que ainda estão por se cumprir girando em torno de dois eixos principais:

1) o destino futuro da cidade de Jerusalém; 2) o destino futuro do povo de Daniel; judeus nacionais (9.24).
Os escritos de Daniel cobrem o governo de dois reinos, Babilônia e Medo– Persa, e quatro reis: Nabucodonosor (2.11-4.37); Belsazar (5.1-31); Dario (6.1-28) e Ciro (10.1-11.1).

Cristo Revelado

A primeira vez que se vê Cristo é na figura do “quarto” (homem) ao lado de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego na fornalha de fogo (3.25). Os três permaneceram fiéis ao seu Deus; agora, Deus permanece fiel a eles no fogo do julgamento e livra-os, inclusive do “cheiro de fogo” (3.27). Outra referência a Cristo se encontra na visão da noite de Daniel (7.13). Ele descreve “que vinha nas nuvens do céu um como o Filho do Homem”, referindo-se à segunda vinda de Cristo.

Outra visão de Cristo, se acha em 10.5-6, onde a descrição de Jesus é bastante idêntica à de João em Ap 1.13-16. O Espírito Santo em Ação

O Espírito Santo nunca anuncia sua presença em Daniel, mas ele está nitidamente em ação. A habilidade de Daniel e dos outros hebreus de interpretarem sonhos se devia ao poder do ES. As profecias, tanto as que se aplicavam ao local quanto ao futuro, indicam discernimento sobrenatural dado a Daniel pelo ES.

VI. . Timóteo:

“Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus.” 2Tm 3.14,15

Timóteo foi um dos líderes mais destacado da igreja primitiva. Não que fosse forte em todas as áreas. Ele era jovem, tímido e doente, mas foi cooperador de Paulo e o continuador de sua obra. A esse jovem líder, o apóstolo Paulo escreveu duas de suas epístolas.

Sua mãe era judia e seu pai grego (At 6.1). Timóteo tinha bom testemunho em sua cidade e também fora de seu domicilio (At 16.2). Timóteo foi educado à luz das Escrituras desde sua infância (2Tm 3. 14,15). Tanto sua avó Loide, como sua mãe Eunice eram mulheres comprometidas com Deus e com elas Timóteo aprendeu a ter fé sem fingimento desde a sua juventude (2 Tm 1.5).

Em Filipenses capítulo 2. 19 a 24, o apóstolo Paulo nos fala de algumas características desse importante líder espiritual.

Vejamos quais são essas marcas:

1. Timóteo, um líder que cuida dos interesses do povo. O líder é um sevo. Ele não visa seus próprios interesses, mas cuida dos interesses do povo de Deus. Timóteo não cuidava dos interesses do povo para alcançar com isso algum favor pessoal. Ele não usava as pessoas.

Sua relação com as pessoas não era utilitarista. O apóstolo Paulo diz: “Porque a ninguém tenho de igual sentimento, que sinceramente cuide dos vossos interesses” (Fp 2.20). Jesus foi o maior de todos os líderes e ele disse que não veio para ser servido, mas para servir. Quando seus discípulos disputavam entre si quem era o maior dentre eles, Jesus tomou a bacia e a toalha e lavou os pés dos discípulo. Liderança cristã é influência por meio do serviço abnegado.

2. Timóteo, um líder de caráter provado. Timóteo era um homem de Deus. Sua vida estava centrada em Cristo. Ele era comprometido com as Escrituras, fiel a Cristo Jesus e dedicado à igreja.

Timóteo não buscava glória para si mesmo. Ele não construía monumentos ao seu próprio nome. Ele buscava na igreja os interesses de Cristo. Paulo denuncia o fato de existirem na igreja homens que buscavam interesses próprios, porém Timóteo, diferente desses, buscava os interesses de Cristo. Leiamos o registro do apóstolo: “…pois todos eles buscam o que é seu próprio, não o que é de Cristo Jesus” (Fp 2.21).

3. Timóteo, um líder de caráter provado. Timóteo tinha zelo pela sua vida e também da doutrina. Ele era um homem consistente na teologia e na conduta. Seu caráter era provado.O apóstolo escreve: “E conheceis o seu caráter provado…” (Fp 2.22). Timóteo era um homem irrepreensível, que tinha bom testemunho dentro e fora da igreja.

A vida do líder é a vida da sua liderança. Liderança não é apenas performance, mas sobre tudo, integridade. John Maxwell definiu liderança como influência. Um líder influencia sempre: para o bem ou para o mal. A liderança jamais é neutra. Um líder é bênção ou maldição. Timóteo era uma bênção, pois sua vida referendava seu ensino.

4. Timóteo, um líder consagrado à causa do evangelho. Timóteo não era um líder subserviente a homens. Ele servia ao evangelho. Paulo escreve: “…pois serviu ao evangelho, junto comigo, como filho ao pai” (Fp 2.22). Ele era servo de Deus, dedicado ao serviço do evangelho. Quem serve a Deus não se submete aos caprichos dos homens.

Quem serve a Deus não depende de elogios nem teme as criticas. Quem serve a Deus não anda atrás de holofotes. Servir a Deus é servir ao evangelho, é colocar a vida a serviço do reino de Deus na proclamação e ensino do Evangelho.
Estamos nos preparando para uma importante eleição de oficiais em nossa igreja

. Que olhemos para o testemunho de Timóteo e busquemos em Deus a direção para a escolha da nossa liderança espiritual.

Depois de termos analisados a vida desses seis personagens em quem devemos se inspirar o que nos resta é seguir os seus exemplos olhando para Jesus o autor e consumador da fé. Amém!

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